Sábado, Outubro 14

Figuras portuguesas de la Fiesta (1)
























GOLEGA.- Primeiro matador de toiros africano fixou-se no Ribatejo : Ricardo Chibanga considera que apesar de tudo o povo português irá sempre receber bem os toureiros, porque “em Portugal todos gostam da festa brava.” Ricardo Chibanga veio tourear para Portugal com cerca de 20 anos, vindo de Moçambique. Ricardo Chibanga vive na Golegã e é hoje um símbolo do toreio português

As surpresas da vida trouxeram-no de África para Portugal, onde fez profissão da arte da aficción. As capas encarnadas e os toiros marcaram os dias do primeiro matador de toiros africano.

Símbolo do toureio a pé em Portugal, Ricardo Chibanga nasceu há 65 anos em Moçambique. O gosto pela festa brava foi o bilhete para Portugal. Já correu praças de todo o mundo mas fixou-se na Golegã onde actualmente gere duas praças de touros desmontáveis.
“Na altura tinha medo por causa da responsabilidade, mas a minha profissão escreveu uma história muito linda”, afirma Ricardo Chibanga no salão de sua casa, onde as paredes estão forradas com muitos posters de corridas famosas.
Começou a sonhar com a “metrópole” em 1962, quando viu as primeiras corridas em Moçambique e os “fatos de luzes” usados pelos toureiros. “Manuel dos Santos [lendário toureiro já falecido] e o empresário Alfredo Ovelha pediram ao governador-geral de Moçambique para autorizarem a minha vinda para Portugal. Fui muito bem recebido”, conta.
Por influência do Manuel dos Santos, fixou-se na Golegã. A lezíria ribatejana e a afición daquele povo encantaram-no. “A pouco e pouco foram reconhecendo o meu valor, mas trabalhei muito”, garante.
O dia-a-dia de um toureiro exige treinos diários, desde cedo: “Todos os dias se lida com o perigo. A partir do momento que tomei a alternativa e me tornei o primeiro matador de toiros africano, a minha responsabilidade duplicou.”
O perigo da vida na arena levou-o muitas vezes para camas de hospital, “uma vez em Sevilha um toiro deixou-me 16 dias em coma, foi difícil recuperar psicologicamente.” Apesar de tudo o toureiro afirma que a “sopa de corno” faz parte da profissão.
Ricardo Chibanga pisou arenas de todo o Portugal, Espanha, França, México, Inglaterra, Venezuela, Canadá, EUA, Indonésia, China, Moçambique e Angola.
Hoje o toureiro está certo da sua opção: “Apaixonei-me pelos toiros enquanto que os meus amigos tinham a febre do futebol, como o Eusébio, o Lula, o Hilário, amigos da minha infância em África.”
O nervosismo é o factor que mais preocupa os profissionais da área. “Em corridas importantes, passava as semanas anteriores sem dormir. O povo exige muito de nós, muita arte, imaginação e coragem.”
Os amigos que fez na Golegã, aficionados e ganadeiros, continuam os mesmos, os dias de empresário, porém, são agora mais calmos.
( Com texto de Ana Raquel Nunes, Débora Miranda e Mariana Barbosa. Fotografías : en portada, Chibanga antes de una actuación en la plaza de Azpeitia, País Vasco. En color, Chibanga en la actualidad. Abajo, Chibanga y el ganadero Cabral Ascensao, vuelta triunfal en Moura).