enviado especial, na mais antiga praça de toiros de Portugal.
Foto de Vítor Ribeiro, cavaleiro de sucesso.
Se querem saber os motivos da tourada ser uma festa popular, enraizada no mais profundo da nossa cultura, vão até Abiúl, perto de Pombal, assistam a uma corrida na praça local e desfrutem do ambiente alegre e festivo que ali se vive ... e tirem as vossas conclusões!Abiúl merece, de facto, uma visita ao seu precioso centro histórico, nomeadamente ao seu Largo da Praça Velha, onde como o próprio nome indica, a história diz que terá sido o palco em 1561 das primeiras touradas realizadas em Portugal a elas assistindo os duques de Aveiro, em palanque reconstruido recentemente. As Festas do Bodo de Abiúl, em honra de Nossa Senhora das Neves surgiram, segundo reza a tradição, na sequência da peste que atingiu a região em 1561/2. Ligada a estas festas estão indelevelmente as touradas, que se realizam no primeiro fim de semana de Agosto e que contam com a assistência de centenas de emigrantes em França, que nesta altura do ano regressam às suas terras, e que dão um colorido visual e sonoro muito especial às bancadas da sua bem cuidada praça de touros.
No passado domingo dia 7 de Agosto, fomos até lá pela primeira vez, para conhecer Abiúl e assistir a uma corrida mista interessante, com touros de Brito Pais Herdeiros, de apresentação e comportamento regulares, exceptuando o quarto da ordem, manso declarado a fugir do cavalo de Rui Salvador, que nesta tarde passou sem pena nem glória pelo redondel de Abiúl, com ferros curtos falhados ao seu primeiro, compridos aliviados no seu lote e excessiva intervenção, por desnecessária, da sua quadrilha.
No que à cavalaria diz respeito realçar mais uma excelente lide, nesta temporada, de Vitor Ribeiro ao seu segundo, recebido com um certeiro e arriscado ferro à gaiola, desenvolvendo de seguida uma lide recheada de bons ferros curtos a câmbio, sabendo sair na altura certa, algo que nem todos se podem gabar.
Na parte a pé da corrida, Luís Procuna, como agora se anuncia, desenvolveu frente a duas reses com os cornos excessivamente arranjados, duas lides muito ao gosto popular, com muitos desplantes à mistura e pouco toureio, vindo ao de cima mais uma vez as suas limitações com a muleta na mão esquerda, devendo destacar-se como mais positivo as suas intervenções a bandarilhar, onde é efectivamente um executante de grande categoria.
Quanto aos forcados do Aposento da Moita, em ano de comemoração dos seus 30 anos, que mereceram o descerrar de uma lápide, foram protagonistas de uma boa pega ao seu primeiro, devendo ter repetido a sorte no segundo da tarde em virtude do forcado ter saido da cara do touro, não merecendo as restantes pegas nenhum registo especial.
Assim se passou mais uma tarde de touros, desta vez em Abiúl, terra aficionada como poucas, que deveria servir de exemplo, até pelo preço dos bilhetes, a outras terras do nosso Portugal taurino, onde a Festa de Touros não é tratada com o carinho e a seriedade que indubitavelmente merece!
